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Photios Kontoglou – Diferença entre música eclesiástica e música secular

A música é de dois tipos (como são as outras artes também) — secular ou eclesiástica. Cada um deles foi desenvolvido por diferentes sentimentos e diferentes estados da alma. A música secular expressa sentimentos e desejos mundanos (isto é, carnais). Embora esses sentimentos possam ser muito refinados (românticos, sentimentais, idealistas etc.), eles não deixam de ser carnais. No entanto, muitas pessoas acreditam que esses sentimentos são espirituais. No entanto, sentimentos espirituais são expressos apenas pela música eclesiástica. Somente a música eclesiástica pode expressar verdadeiramente os movimentos secretos do coração, que são completamente diferentes daqueles inspirados e desenvolvidos pela música secular. Isto é, expressa contrição, humildade, sofrimento e pesar piedoso, que, como diz Paulo, “opera o arrependimento para a salvação”. A música eclesiástica também pode evocar sentimentos de louvor, agradecimento e entusiasmo sagrado. A música secular, por outro lado – mesmo a mais pura – expressa emoções carnais, mesmo quando é inspirada por sofrimento e aflição. Esse tipo de sofrimento, Paulo chama de “pesar mundano”, que “opera a morte”.

Arquimandrita Efraim de Vatopedi – Sobre a “Morte Súbita”

Hoje em dia, quando a ciência e a tecnologia estão “no topo”, quando as culturas convergem e há uma crise de valores, até mesmo a palavra “morte” é evitada, e qualquer coisa que a remeta é ignorada e descartada. O homem moderno vê a morte como algo negativo e como uma perda; costumamos dizer sobre os que partiram: “Nós o perdemos”. Quem não tem o conhecimento adequado sobre esta questão da morte, tenta ignorá-la. Assim, ele vive uma vida essencialmente neurótica, drenada de seu verdadeiro significado.

A parada da função cardíaca e / ou a morte do cérebro – ou seja, a morte biológica e clínica – não é um estado natural para o homem e não é uma condição que está de acordo com a vontade de Deus. Deus não fez a morte (Sabedoria de Salomão 1, 13). A morte invadiu a natureza humana e age como um parasita. A morte entrou no mundo pelo pecado dos antepassados. Não é possível que o mal tenha se originado de Deus, pois Deus é bom. Quando Ele criou o homem, Ele não o tornou mortal. A morte apareceu depois que o pecado foi cometido, “porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn 2, 17). Na verdade, diz o apóstolo Paulo: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5, 12). Isto é, a morte como resultado do pecado dos antepassados invadiu a natureza humana e depois para o resto da criação.

Padre Thomas Fitzgerald – A Sagrada Eucaristia

 “Nós não sabíamos se estávamos no céu ou na terra, pois certamente não existe tal esplendor ou beleza em lugar algum na terra. Nós não conseguimos descrever para você; nós só sabemos que Deus habita lá entre homens e que o Serviço deles supera a adoração de outros lugares…”

Na parte final do século décimo, Vladimir, o Príncipe de Kiev enviou emissários a vários centros Cristãos para estudar a forma deles de adoração. Estas são as palavras que os enviados proferiram quando eles reportaram a sua presença na celebração da Eucaristia na Grande Igreja da Santa Sabedoria, em Constantinopla. A experiência profunda expressada pelos enviados Russos tem sido uma partilhada ao longo dos séculos por muitos que testemunharam pela primeira vez a bela e inspiradora Divina Liturgia da Igreja Ortodoxa.

Metropolita António Bloom- Entrevista na CBC- Sobre Sofrimento (1973)

Jornalista: Um dos conceitos que causa mais perplexidade da Fé Cristã para não- cristãos é a visão Cristã do Sofrimento. A ideia de que o sofrimento é redentor e o caminho para a Salvação. Até para muitos Cristãos a crença de que o sofrimento pode ser bom para ti é difícil de aceitar. Para nos ajudar a atingir uma melhor compreensão sobre o papel do sofrimento na vida espiritual dos Cristãos, eu visitei o Metropolita Anthony, da Igreja Ortodoxa Russa na Inglaterra.

Metropolita: Sempre que vamos desta preocupação sobre o homem, para a preocupação sobre coisas, nós tornamos as coisas, que podem ser ideais, ideologias, perspetivas de riqueza, num ídolo, e não existe nenhum ídolo que não reivindique sangue, e o sangue é sempre sangue humano, serão sempre homens, e mulheres, e crianças, que terão de pagar o custo.

A carta encíclica de São Marcos de Éfeso

São Marcos “o Cortês”: “Eu nunca farei isto aconteça o que acontecer.” [Na mesa: “Termos da União de Latinos e Ortodoxos: Em Florença em 1439.”]

Julho de 1444

A Todos os Cristãos Ortodoxos no continente e ilhas.

De Marcos, Bispo da Metrópole de Éfeso- Rejubilai em Cristo!

A todos os que nos enredaram em cativeiro maligno- desejando levar-nos até á Babilónia dos ritos e dogmas Latinos- não conseguiram, claro, completamente atingir isto, vendo imediatamente que havia pouca hipótese para tal. De facto, que era impossível. Mas tendo parado algures a meio- tanto eles como aqueles que os seguiram- nem permaneceram o que eram, nem se tornaram outra coisa. Por terem desistido de Jerusalém, uma Fé firme e inabalável- e ainda não estando em condições e não desejando de serem chamados Babilónios- eles então chamaram a si próprios, como se por direito, “Greco-Latinos,” e entre o povo são chamados “Latinizadores.”

O sinal da Cruz na tradição ortodoxa

Por que dizem que nós, os ortodoxos, nos benzemos «ao contrário»? Os cristãos ortodoxos não se benzem «ao contrário».

De fato, a Igreja Ortodoxa ensina os seus fiéis a benzerem-se de acordo com a Tradição que nos foi legada pelos nossos Pais na Fé. E o fato de nos benzermos desta ou de outra maneira também não é questão sem importância: é um conjunto de gestos cheios de significado e de simbolismo. Senão vejamos:

Três perguntas sobre a vida monástica ortodoxa

1. Significado do Monasticismo

Pergunta: Eu não sou nem Católico Romano nem Ortodoxo mas estou a apreender o que posso sobre ambas as comunidades. Eu estou a ler “Uma Montanha de Sete Andares” de Thomas Merton, o que leva á pergunta abaixo.

Na Tradição Romana parece que aqueles que estão a viver a vida Monástica (Monge) são compreendidos como estando a gerar bem-estar para a Igreja como um todo; eu suponho que isto esteja de acordo com a compreensão deles sobre a economia espiritual envolvendo indulgências?

Eu sei que a Ortodoxia não reconhece indulgências. Que sentido existe na Ortodoxia, se algum, do valor espiritual para a Igreja dos Monásticos, além de, e em adição, aos óbvios relacionados com as suas orações pela Igreja?

Resposta: A maior contribuição do Monasticismo de um modo geral, como você observou, é a oração que eles oferecem “por todos e para todos.” A vida Monástica Ortodoxa é contemplativa- não temos “ordens” Monásticas dedicadas ao ensino, trabalho social, etc., tal como seria encontrado no Catolicismo Romano.

Metropolita António Bloom – Acerca do pai espiritual e da paternidade espiritual

O tema que passo a expor é o da espiritualidade ou da paternidade espiritual, ou ainda, se preferirdes, o “nutrir espiritualmente”, ou então o “cuidar das almas”.

Para tanto, gostaria, em primeiro lugar, de definir a palavra “espiritualidade”; porque, ao falarmos de espiritualidade, referimo-nos, usualmente, a certas expressões da nossa vida espiritual, tais como a oração e a ascese. Isto está claro em certos livros como, por exemplo, os de Teófano, o Recluso. Todavia, torna-se necessário, ao que me parece, relembrar que a espiritualidade consiste na realização da ação do Espírito Santo em nós. A espiritualidade não é o que designamos, habitualmente, por esta palavra, mas antes é a manifestação da ação misteriosa do Espírito Santo.

Padre Pedro Pruteanu – Acerca do divórcio e do segundo casamento

Pergunta: Reverendíssimo padre Pedro, explique-nos, se faz favor, se a Igreja Ortodoxa aceita o divórcio e o novo casamento e em quais condições? Como é rompido, neste caso, o vínculo do primeiro casamento e que relação espiritual restará entre os cônjuges após o divórcio ou a morte?

Resposta: A questão é muito séria e delicada e a interpretação e a aplicação dos princípios bíblicos ligados ao casamento, muitas vezes, são feitas tendo em conta as paixões humanas e não a vontade divina. O tempo não me permite fazer uma análise completa da doutrina da Igreja sobre este tema, mas tentarei sistematizar as seguintes ideias: