Muitas vezes, quando uma “testemunha de Jeová” quer expor a sua doutrina acerca do “nome de Deus”, parte da ideia que cada um de nós tem um nome e gostamos de ser chamados por ele. O nome, de acordo com o entendimento das “testemunhas”, tanto para as pessoas como para Deus, seria a sua característica mais importante e, portanto, não deve ser negligenciado. Admitiríamos, sem reservas, esta premissa, um tanto lógica, se elas não se estivessem a contradizer! Ao lhes perguntarmos quais os nomes dos editores da “sua” Bíblia (a tradução do “Novo Mundo”), elas respondem: ”Somente Deus deve ter um nome, que é Jeová. Para um indivíduo, ter um nome significa difamar a grandeza divina”[1]. Assim, como se pode claramente concluir desta frase, o homem nem sequer deveria tem um nome, para não se poder comparar a Deus e então, o seu pequeno truque para conquistar novos prosélitos não funciona. Ou será que se trata de outro nome? Também isso não está claro, já que, na opinião das “testemunhas”, um nome humano poderia difamar a grandeza divina. Uma coisa é clara: nem mesmo “as testemunhas de Jeová” sabem se “o nome de Deus” pode ser comparado, dalguma forma, ao nome dum indivíduo.
Χριστός Ανέστη! Αληθώς Ανέστη!
Hristos a înviat! Adevărat că a înviat!
Христос Воскресе! Воистину Воскресе!
Cristo ressuscitou! Em verdade ressuscitou!
Le Christ est ressuscité! En vérité Il est ressuscité!
Cristo è risorto! È veramente risorto!
Cristo ha resucitado! Verdaderamente, ha resucitado!
ハリストス復活!実に復活!
.םק תמאב ; םק ח׳שמה
Christ is Risen! He is Risen Indeed!
Nós acreditamos que as escrituras constituem um território coerente, divinamente inspiradas e humanamente expressadas. Elas outorgam a Deus a revelação de Si Mesmo, na criação, na encarnação no mundo, e em toda a história da salvação. Elas expressam a Palavra de Deus em linguagem humana. Nós sabemos, recebemos e interpretamos as escrituras de acordo com a Igreja e na Igreja. Nossa aproximação da Bíblia é uma forma de obediência.
Podemos distinguir na Igreja Ortodoxa quatro formas de ler as escrituras, denominadas
-Nossa leitura deve ser obediente
-Ela deve ser eclesiástica, junto com a Igreja
-Ela deve ser centrada em Cristo
– Ela deve ser pessoal
Em resumo, a adoração ortodoxa é ritualística porque:
(1) Deus deseja que nossos ofícios sejam ordenados como um reflexo de Si mesmo;
(2) Nosso Senhor deseja determinar um padrão de adoração para manter a unidade e evitar as divisões;
(3) Os ofícios fazem com que nos disciplinemos a prestar atenção, lembrar e participar, para que nos aperfeiçoemos na fé;
(4) A adoração é feita para ser trabalhosa, exigindo o melhor de nós para honrar a Deus.
Se compararmos aos cultos da maioria das igrejas protestantes e pós-Vaticano II das igrejas Católico-Romanas, o culto da Igreja Ortodoxa parecerá excessivamente formal, complicado e rígido nas suas rúbricas. Por que existem tantos rituais na Igreja Ortodoxa? Por que não há mais espontaneidade, criatividade e liberdade de expressão? Por que o ofício ortodoxo do Domingo – a Divina Liturgia – é essencialmente o mesmo semana após semana, ano após anos, por mais de mil e quinhentos anos? A maioria dos fiéis ortodoxos responderiam “Porque é a nossa Tradição”. Entretanto, entendemos porque é que a nossa Tradição é essa e por que os rituais são tão importantes para a nossa Fé Cristã?
No cristianismo ortodoxo, não há “moralidade”. Eu sei que isso choca muitas pessoas, mas o digo por um bom motivo: porque a moralidade não é realmente uma ideia teológica, mas filosófica. A moralidade é normalmente compreendida como um senso de certo e errado, e acho que em certa medida todos o possuem, a despeito de cultura, religião ou época em que vive. Eu não acho que alguém já tenha considerado que o egoísmo ou a covardia sejam coisas boas. As pessoas não acham que seja bom ser horrível com quem foi bom com você, e é assim em qualquer religião que você creia, qualquer época em que viva, qualquer cultura de que participe. Existe um senso comum de certo e errado.
Mas há variações. Alguns diriam que é aceitável se vingar, e outros que não devemos fazê-lo de modo algum. Alguns diriam que um homem deve ter apenas uma esposa, outros diriam que ele pode ter várias. Alguns diriam que a gente deve ser bom com quem é bom connosco, outros diriam que devemos ser bons até com que não é bom connosco.
O ponto crucial é entrarmos para a Igreja – nos unirmos aos nossos irmãos, às alegrias e tristezas de todos, sentir suas circunstâncias como se fossem as nossas, orar por todos, nos doermos pela salvação deles, esquecermos de nós mesmos, fazermos tudo pelos outros, como Cristo fez por nós. Na Igreja nos tornamos um com cada pessoa triste, com cada sofredor, com cada pecador. Ninguém pode planear salvar-se sozinho, sem a salvação dos outros. É errado rezarmos pedindo para nos salvarmos. Devemos amar os outros e orar para que ninguém se perca, para que todos entrem para a Igreja. É isso que importa. E é com tal desejo que se deve sair do mundo para ir para um mosteiro ou para o deserto.
Na igreja, que possui os mistérios (sacramentos) que salvam, não há desespero. Podemos até ser extremamente pecadores, mas confessamos, o padre lê a oração sobre nós e assim somos perdoados e caminhamos para a imortalidade, sem ansiedade, sem medo.
„A desobediência primeira do homem, o Fruto
Daquela Árvore Proibida, cujo sabor letal
Trouxe a Morte ao Mundo, e toda nossa miséria
Com a perda do Éden, até um Homem maior
Nos restaurar, e uma vez mais recebermos o trono bendito,
Canta Ó, empírea Musa!”
John Milton, Paraíso Perdido, Livro I
Embora Milton tenha escrito de forma mais eloquente do que eu, a música da humanidade é criação, queda e redenção – uma bela sinfonia repleta de ricas polifonias, repentinas modulações e dissonâncias dramáticas. Em algum ponto, uma melodia trágica embrenhou-se na partitura, mas no fim é sobrepujada e a música conclui com fanfarra triunfante. Embora a maioria dos cristãos concorde com esta imagem musical, grupos diferentes escreveriam o prelúdio de forma diferente. De onde exatamente a melodia trágica veio, quem a escreveu na partitura, e como ela afeta o resto da música? A resposta a estas perguntas influencia os atributos das partes individuais, assim como a direção de toda a narrativa musical.
Esta é nossa narrativa de trabalho como alicerce do Cristianismo: Adão e Eva foram criados em comunhão com Deus, perderam esta comunhão, e o resto da humanidade os seguiu. Desta narrativa emergem duas visões divergentes sobre o ser humano, duas antropologias. Embora todos os cristãos usem o termo “pecado original” para se referir ao estado da humanidade depois da Queda (Rom. 5:12-21; Cor. 15:22), muitos Cristãos Ortodoxos preferem o termo “pecado ancestral”. Assim, por conveniência, utilizarei o termo pecado original para referir-me exclusivamente às articulações deste conceito feitas por Roma, Calvinistas e Luteranos, que ensinam que a humanidade herdou tanto os efeitos quanto a culpa do pecado de Adão. Em contraste, utilizarei o termo pecado ancestral, para denotar o ensino Cristão Ortodoxo de que a humanidade herdou apenas as consequências do pecado de Adão, e não sua culpa. Uma visão é ontológica, a outra é existencial.
- Eu sou o Senhor teu Deus, não terás outros deuses além de Mim.
- Não farás para ti ídolos, nem figura alguma do que está em cima nos céus, ou embaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra; não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto.
- Não pronunciarás em vão o nome do Senhor teu Deus.
- Lembra-te de santificar o dia do descanso; trabalharás durante seis dias e farás toda tua obra. Mas no sétimo dia — que é um repouso em honra do Senhor teu Deus, não farás trabalho algum.
- Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolonguem sobre a terra.
- Não matarás.
- Não cometerás adultério.
- Não furtarás.
- Não levantarás falso testemunho contra teu próximo.
- Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem nada do que lhe pertence.
Desde a manhã da Ressurreição, os séculos passaram como um relâmpago. Impérios e civilizações inteiras surgiram e desapareceram; revoluções militares, convulsões sociais e políticas mudaram a própria ordem mundial. Mas aquela pequena comunidade de pescadores fundada pelo judeu Jesus, da aldeia de Nazaré, a sua Igreja, permanece de pé até hoje, como um rochedo firme no meio de um mar em contínuo movimento.
E aquele Credo (professado nos primeiros dias por poucas dezenas de pessoas e que hoje move mil milhões de habitantes do nosso Planeta, os quais falam as mais variadas línguas) deu origem a inumeráveis formas de cultura.
Quando o anúncio do Evangelho soprou, como uma suave brisa, no decadente mundo antigo, trouxe a esperança aos degradados e aos desesperados, dando-lhes um novo alento e uma nova vida. O Cristianismo fundiu em si a sabedoria de Atenas e as expectativas do Ocidente ao sonho romano de uma pax universal; condenou os opressores, elevou a mulher a uma dignidade nova, provocou a erradicação da escravidão…
Duas das mais importantes questões que a missão ortodoxa enfrenta dizem respeito à evangelização e o proselitismo e a diferença entre ambos. Alguns têm dito que não há diferença entre eles. Se as pessoas falam a respeito da necessidade de evangelização, encontram a resposta: “A Igreja Ortodoxa não promove conversões”, como se a evangelização e o proselitismo tivessem o mesmo significado.
Outros estão mais preocupados com o proselitismo que vem de fora da Ortodoxia – de missionários que desde o fim do comunismo tem-se apressado em converter a Rússia, a Bulgária, a Roménia e outras terras tradicionalmente ortodoxas para a sua forma de pensamento.
Os cristãos do Ocidente tendem a pensar que o Oriente Ortodoxo não é “missionário”. O século XX, especialmente após a Primeira Guerra Mundial, tem sido o período de contato “ecuménico” entre os cristãos de diferentes tradições. Os anos de 1920 a 1970, porém, constituíram o período no qual as atividades missionárias da Igreja Ortodoxa atingiram o seu ponto mais baixo. Após a Queda de Constantinopla para os turcos, em 1453, a Rússia tornou-se realmente o único centro da missão ortodoxa e a Revolução Bolchevique pôs um fim a isso.